Escola Politécnica da USP

usp.br

  • Aumentar tamanho da fonte
  • Tamanho da fonte padrão
  • Diminuir tamanho da fonte
Início Comunicação Notícias Politécnicos criam startup para compartilhamento de espaços

Politécnicos criam startup para compartilhamento de espaços

Pelo site da Wish A Storage, quem tem espaço livre em casa pode anunciá-lo e alugá-lo para pessoas que precisam armazenar objetos ou guardar veículos.

Os imóveis encolhem cada dia mais em cidades como São Paulo, criando um problema para as pessoas que têm muitos objetos e pouco espaço para armazená-los. Além disso, as vagas de garagem se tornaram espaços valiosos nos grandes centros urbanos onde as famílias geralmente têm mais de um carro, e frequentemente apenas uma vaga para seu automóvel. De olho nesta tendência, dois engenheiros formados pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP) se uniram a um advogado, um administrador de empresas e um economista para criar uma startup que trouxe uma solução inovadora para a questão da armazenagem.

Trata-se da Wish A Storage (http://www.wishastorage.com.br/), um site que une quem tem espaços vazios em casa e quem precisa guardar seus objetos. A grande vantagem, em relação aos serviços de empresas de self storage, é o preço e a localização dos espaços. “Em média, o custo do metro quadrado de um aluguel de espaço nas residências representa a metade do que é cobrado em um box na cidade de São Paulo”, afirma Daniel Eiro, um dos sócios da startup. “Além disso, com uma rede de anunciantes de espaços cada vez maior, é possível encontrar um espaço para alugar bem próximo à casa do interessado, diminuindo os gastos de tempo e dinheiro na mobilidade.

O funcionamento da plataforma é bastante simples. Quem tem espaço livre em casa e quer alugá-lo anuncia no site, gratuitamente. Já o interessado faz a busca no site e, ao encontrar o espaço ideal, entra em contato com o proprietário. Toda a transação é feita por meio do site. Ambos assinam um Termo de Uso que, na prática, funciona como um instrumento legal para proteger as partes envolvidas. No caso do locador (chamado de Storager), para resguardá-lo da responsabilidade de ter seu espaço usado para estocagem de produtos ilegais, por exemplo. No caso do locatário (Wisher), para ter garantias se houver danos ao seu patrimônio.

 Perfil dos usuários – Em São Paulo, a procura maior vem de bairros localizados no centro expandido, como Pinheiros, Perdizes, Higienópolis, onde o metro quadrado é mais caro e há demanda maior de pessoas procurando espaço para armazenagem. Já os anunciantes são de bairros um pouco mais periféricos, mas não muito distantes do centro, como Pirituba, Saúde e Conceição, entre outros, onde ainda existem muitas residências e mais espaço.

“A demanda mais comum é de pessoas que estão se mudando e precisam guardar móveis temporariamente em algum local até acertarem a nova residência, além de uma boa procura por vagas de garagem”, diz. Há um pouco de tudo. “Temos, por exemplo, uma empresa que faz cenografia para teatro e usa os espaços alugados para armazenar seus objetos”, destaca Eiro, lembrando que também há uma demanda significativa de pessoas que não têm onde guardar seu carro ou moto e procuram uma vaga para seu veículo que não seja cara como um estacionamento privado.

Planos de expansão – A plataforma, que começou a operar em novembro do ano passado, tem cerca de 70 anúncios e 200 usuários cadastrados. O lucro vem do percentual do valor do aluguel, que é repassado para a Wish A Storage. A meta é fechar o ano com 800 anúncios e 1000 novos usuários. Para tanto, os sócios estão trabalhando no desenvolvimento de um aplicativo, além de investirem em recursos de marketing, bem como em campanhas online e offline para ampliar o alcance de usuários e transações na plataforma.

Os próprios sócios tocam o negócio. Daniel Eiro cuida da parte tecnológica da startup ao lado de Hilarindo Silva, também formado em engenharia. Já Franz Bories e Thiago Fogaça, ambos formados nas áreas de negócios, e Ricardo Russo, advogado, ficam com a parte administrativa e comercial.

“Como dizem na linguagem do empreendedorismo, as startups nascem, em geral, de uma ‘dor’ de um dos empreendedores. Foi o nosso caso”, brinca Eiro. A ‘dor’, no caso, era de Bories, que, após formado no interior de São Paulo, veio trabalhar na capital paulista. Durante anos ele morou em um flat de cerca de 25 metros quadrados. Ele tinha como hobby tocar percussão em alguns eventos em São Paulo. O problema era que no flat não havia espaço para os instrumentos. “Ao fazer cotação em serviços de self storage, ele constatou que ficaria muito caro guardá-los em boxes comerciais. Então, pensou em pagar a um de seus vizinhos uma quantia para que ele deixasse guardar seus instrumentos na casa dele”, conta Eiro.

Da conversa sobre esse problema veio a ideia de criar um negócio. Todos estavam empregados nesse período e continuaram assim por um tempo, enquanto desenvolviam melhor a proposta da empresa. Até que participaram do processo de seleção de uma das maiores aceleradoras da América Latina, a Startup Farm, ao mesmo tempo em que buscavam espaço na incubadora Cietec, da USP. O projeto foi aprovado por ambas e eles acabaram optando pela aceleradora, onde ficaram por cinco semanas.

“Quando recebemos esses retornos positivos, soubemos que tínhamos um negócio com bom potencial. Decidimos então juntar nossas economias e deixar nossos empregos para nos dedicarmos somente a empresa”, diz Eiro. No momento, todo o investimento feito na empresa vem do capital dos próprios sócios. Eles ainda estão avaliando a possibilidade de procurar fontes de financiamento para o negócio.

A vida de empreendedor tem sido desafiadora. Eiro, por exemplo, conta que sempre quis ter uma empresa, mas não tinha uma boa ideia para abrir um negócio. “Quando entrei na Poli, eu gostava de eletrônica, de programação, mas não achava que ia seguir carreira em Tecnologia da Informação. Acabei encontrando emprego nessa área, comecei a gostar mais a cada dia, me interessando mais sobre aspectos da Internet e tecnologia”, lembra.

Ele destaca a formação obtida na Poli-USP como essencial não só para lidar com os aspectos tecnológicos, mas com a própria administração do negócio. “Na graduação eu realmente aprendi a aprender. Hoje, isso está sendo essencial na gestão do meu negócio, pois lido diariamente com novas tecnologias e preciso me atualizar rapidamente”, conta. “Lidar com todo esse ambiente de incertezas que cerca uma startup vem sendo um dos meus grandes desafios, e o background que a Poli me proporcionou tem sido fundamental para encará-lo”, completa.

Para Hilarindo Silva, o sentimento é parecido. “A Poli me ensinou desde o início que disciplina e organização são fundamentais para uma carreira de sucesso”, pontua. “Como engenheiro, aprendi a analisar e resolver problemas de forma rápida e eficiente. Como empresário, aprendi a ser multitarefa, o que me permite trabalhar em vários projetos ao mesmo tempo”, finaliza.

*************************

ATENDIMENTO À IMPRENSA

Acadêmica Agência de Comunicação

11+ 5549-1863 / 5081-5238 – Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo.

Ângela Trabold